Thursday, January 3, 2013

Ensinando a falar a língua estrangeira

Aula de inglês no currículo da escola! Vou aprender a falar inglês!

Essas duas sentenças podem ser ditas por um pré-adolescente ao se deparar com seu horário escolar do 6o ano do ensino fundamental. Ele pode se imaginar falando, cantando e usando a língua com turistas. 

Finalmente as aulas começam e a vontade de aprender a falar recebe um balde de água fria logo na primeira aula quando o professor coloca o verbo To Be no quadro e pede para os alunos copiarem frases soltas como a famosa "The book is on the table". A vontade se transforma em sentimento negativo e pronto, o trauma se inicia e muitas vezes é levado até o fim da vida.

Infelizmente é comum ouvir que aula de língua estrangeira em escola não ensina a falar. Por que isso acontece? São muitas as desculpas, mas acredito que se o professor tiver vontade, as quatro habilidades podem ser ensinadas sim. Para tanto, é importante conhecermos as diferenças entre língua falada e língua escrita. 

Um dos equívocos que cometemos com nossos alunos é fazê-los responder em sentenças ditas completas quando perguntamos algo em inglês. Por exemplo, quando perguntamos: "What is your favorite color?" Ensinamos que o correto é responder assim: "My favorite color is _________." Normalmente há um aluno que indaga se pode falar só a cor e dizemos que isso é errado. Excuse me, isso é errado? Então temos que falar para todos os nativos de língua inglesa que eles estão falando errado quando não respondem usando todas as palavras. Até mesmo em português, quando estamos conversando, não costumamos usar sentenças ditas completas para responder. 

Para que ensinemos nossos alunos a falar uma língua real, a que os nativos falam, é importante estudar mais sobre a língua falada. Dois livros que me ajudaram muito foram o From Corpus to Classroom do Michael McCarthy e o Longman Grammar of Spoken and Written English do Biber e outros autores. Fiquei maravilhada ao descobrir que há muitas diferenças entre a fala e a escrita e comecei a ensinar o inglês real. 

Para começar, aprendi que tenho que ensinar as palavras e expressões mais frequentes na fala. Por exemplo, a frase de duas palavras mais frequente dita pelos americanos é "You know". Essa frase pode aparecer no início, no meio ou no fim de alguma fala. Outras palavras ou marcadores discursivos muito frequentes são "Well" e "uh". 

Se queremos ensinar o inglês falado de verdade para nossos alunos, temos a obrigação de ensiná-los com as características próprias dessa habilidade. Para nos ajudar nessa tarefa, alguns livros foram lançados com esse objetivo. Um deles é a coleção Touchstone da Cambridge http://www.cambridge.org.br/catalogue/young-adult-adult-learners?touchstone&item=404931 
Você também pode ver o site que os alunos podem usar para fazer diversos exercícios: http://www.cambridge.org/us/esl/touchstone/student/index.html

Outros livros maravilhosos e que ensinam o inglês falado nos Estados Unidos com diálogos reais da vida são os On Speaking Terms 1 e 2, da Eliana Santana-Williamson - http://elt.heinle.com/cgi-telt/course_products_wp.pl?fid=H2S&series_id=1000002122&discipline_number=301. Os usei para ensinar inglês para pessoas do Cazaquistão que estavam passando uma temporada de três meses nos EUA. Elas ficaram impressionadas quando o diálogo que tínhamos estudado sobre a interação em um restaurante americano foi exatamente o mesmo que usaram quando elas foram jantar. Sucesso total na interação!

Para aprendermos mais sobre o assunto de língua falada, sugiro a leitura do pequeno artigo com o título "Are non-native speakers able to converse?" da Eliana Santana-Williamson nesse link: http://www.catesol.org/Santana-Williamson.pdf Outro artigo muito interessante é o Ten criteria for spoken grammar do Mccarthy no link: http://www.cambridge.org/us/esl/touchstone/images/pdf/Ten%20criteria%20for%20a%20spoken%20grammar.pdf

No próximo post mostrarei atividades práticas para ensinar o inglês falado real em nossas aulas.

Até breve!

2 comments:

Allana said...

Achei super interessante seu texto! Isso me fez lembrar rapidamente quando comecei a estudar inglês, mas principalmente quando terminei o curso. Ao concluir aquela etapa, me peguei pensando:" Será mesmo que eu sei falar inglês?". Na verdade, eu sabia toda a gramática, mas me faltava falar. Conseguia até entender as pessoas falando. Que coisa estanha, não? Fiquei sem entender o motivo. Aliás, porque isso acontecia? Me questionei tanto. Hoje, ao estudar a língua mais profundamente e todas as coisas que cercam o ensino de línguas. Encontrei muitas respostas.
Mas sabe o que me fez refletir mais? Dentro da minha longa trajetória no curso de inglês,nunca nenhum professor conversou sobre estratégias de aprendizado, diferenças entre língua falada e escrita,sobre dificuldades...só diziam que tinhamos que falar!
Aprendi muita coisa mesmo. Devemos dedicar um pouco das nossas aulas para conversar com nossos alunos, estabelecendo assim, um ambiente aberto e interativo.

Rosana said...

Seu post me lembrou de quando comecei a estudar inglês na escola pública, muitos anos atrás... Infelizmente, e eu já te disse isso, nem todo professor tem a motivação e garra que você tem, acredito que seja um diferencial (porque nem estou falando de preparo,viu!), mas um professor que tem vontade de ensinar e o faz com paixão desperta a vontade de aprender e isso faz o seu trabalho gerar frutos. Eu não tive isso, infelizmente, tive professores desmotivados e que pouco sabiam para ensinar, deu no que deu. Agora é que estou falando um pouquinho, soltando a língua, como dizem. Mas isto é em qualquer profissão, se houver amor pelo que faz há certamente muito êxito!
Adorei o texto e as dicas também, ando pesquisando muito sobre a língua e recebido grandes elogios das minhas professoras pelo meu desempenho.rs Um dia eu chego lá!
Beijos!!